Conteúdo e forma

Quando comecei a trabalhar, em meados dos anos 90, era ainda muito garoto, tinha acabado de terminar o curso de datilografia (é, já faz muito tempo) e tinha terminado na época o ginásio, tinha 14 para 15 anos. E fui recém-promovido de auxiliar de escritório para auxiliar de studio. Trabalhava num bureau de arte que mais tarde se tornou agência de publicidade e, para mim foi um grande passo. E nele pude colocar todo o meu expertise em datilografia a prova: antigamente, quando ainda não se usavam computadores para montagem de artes, tudo era feito de forma manual, os diretores de arte eram verdadeiros artistas e alguns pequenos trabalhos tinham uma contribuição “eletrônica” por assim dizer, e o trabalho de fotocomposição de textos era um deles. Para se fazer os textos de apoio de um anúncio, catálogo ou qualquer outro material gráfico, se datilografa todo o texto numa lauda (era assim que se chamava uma folha de papel sulfite) e ali se indicava a família da fonte que seria utilizada, seu corpo (tamanho), alinhamento e espaço que ocuparia na arte.
De lá pra cá, muito coisa mudou, vi a entrada de softwares substituindo diversas ferramentas utilizadas pelos diretores de arte, e até diretores de arte sendo substituídos por não se adaptarem as novas “tendências”.
Vi também com a chegada da internet, a mudança nas mídias. Se falava sempre em substituição de uma pela outra (o rádio seria substituído pela TV desde o seu surgimento, mas ambos estão aí até hoje) e o que acontece agora, é a integração de todas as mídias. Como diretor de arte, tive muitas experiências em mídia eletrônica e impressa, desde quando não se usava o termo offline, afinal, não existia o online. Desde a minha primeira lauda datilografa, até o último post publicado, já se passaram quase 30 anos. Reconheço que com a explosão das mídias sociais, fui meio receoso com este boom todo. Afinal, minha formação não contava com estas novidades e para mim, isto tudo não era “propaganda de verdade”, se comparado as grandes campanhas de outdoor, comerciais de TV, anúncio em revistas nacionais, e etc. Aquilo era apenas uma onda. Pois é, foi um tsunami. Aí lembrei dos diretores de arte “aposentados” por um software que fazia o seu trabalho. As redes sociais vieram para ficar, ou não. Afinal, neste mudo de mudanças tecnológicas, nada é garantido. E o que pude constatar neste período todo é que o conteúdo sempre foi mais importante que a forma. Ideias são ideias. E a maneira como elas serão apresentadas, pouco importa. Desde que se consiga o seu objetivo, que é a base e o conceito por trás de toda mensagem: vender seu produto, serviço ou ideia. A propaganda, a maneira como isto irá se propagar, sempre vai variar, sempre irá evoluir, se modificando e crescendo ou diminuindo de acordo com a necessidade não mais das massas, mas do indivíduo. Mas de toda a forma, o conteúdo sempre será o que importa afinal.

André Marcolino
Sócio-Diretor da Audace Propaganda

Empatia e Criatividade

O que aprendemos neste período de quase 6 meses trabalhando em uma situação totalmente adversa para todos? Clientes tendo que trabalhar com portas fechadas, o uso do delivery para quem nunca usou delivery, reuniões online, atendimento online e por fim, trabalho em home office. Todos fomos pegos de surpresa. E qual a melhor maneira de enfrentar tudo isso? Não existe uma fórmula pronta. Portanto, tivemos que aprender e trabalhar junto dos nossos clientes para descobrir qual a melhor solução para cada um. E todos se reinventaram. Dando dicas de como se manterem bem na quarentena, trabalhando o delivery, personalizando o atendimento, criando soluções de venda e o mais importante: tendo empatia com o consumidor. E podemos dizer que a recíproca é verdadeira. O consumidor sabe quando a marca, realmente se importa com ele, e não está pensando única e exclusivamente em vender durante um momento de dificuldade para todos, e sim pensando em algo maior. Sem dúvida, o bem-estar, interessa muito mais neste momento, do que simplesmente aumentar gráficos de vendas. O restante é consequência. Saber que todos estão bem é muito melhor para que retomemos à “normalidade” o quanto antes, mesmo sabendo que esta “normalidade”, já será diferente. Seja criativo, mas além disso, tenha empatia com o próximo. Vendas importam, mas vidas, valem muito mais.

André Marcolino
Sócio-Diretor da Audace Propaganda